Basílico - Josimar Melo UOL Blog

Blog de Jean Claude Bernardet

10/05/2012

Habemus papam

 
 

Habemus papam

O filme trata do papa e do Vaticano, isto já está mencionado no título.

Mas Nanni Moretti aborda outros temas não menos relevantes:

um filme sobre  velhice;

um filme sobre uma sociedade que produz ansiedade;

um filme sobre a Síndrome do Pânico – pois é exatamente o que acomete o papa: aceita o cargo, mas na exata hora de assumir, o pânico o paralisa. O pânico do papa sabota o próprio papa;

um filme sobre o desejo de  um homem velho que o mundo continue a passar – mas, por favor, o deixe em paz. No  camarote de um teatro ou num ônibus;

um filme sobre a ineficiência da terapia psicanalítica na nossa sociedade; um filme sobre ansiolíticos. Embora mais complexo, é          um filme  próximo de ROMÂNTICOS ANÔNIMOS, que também falava da tribo Rivotril;

um filme sobre o perigo de misturar ansiolíticos, soníferos e antidepressivos;

um filme sobre a vergonha de estar dependente dessa medicação – é só se lembrar do rosto abaixado do cardeal que um dedo aponta.

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 15h35
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19/04/2012

Albertina Carri, Toulouse 2012

 
 

Albertina Carri, Toulouse 2012

Toulouse apresentou uma mostra Albertina Carri, cineasta e militante homossexual. Uma obra que se pode qualificar – no mínimo – de espantosa. Inclui um pornô com bonecas e bonecos Barbie. PETS, montado com material de arquivo (found footage), exibe cenas de zoofilia com comentário, igualmente found footage, extraído de um guia de orientação sexual politicamente correto.

Não menos espantosa é a violência de LA RABIA , onde jorram raiva, ódio contra o masculino, o mundo rural e o universo, onde se matam e esquartejam javalis, cachorros e adolescentes.  Fiquei em estado de choque, uma moça do festival me socorreu com um copo de sangria e um cigarro. Voltei a uma calma relativa.

 

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 14h18
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18/04/2012

Pina

 
 

Pina

 

 

Revi PINA, dessa vez em 3 D.

Quando levantei da cadeira, me dei conta de que andar não é nada óbvio.

Andar é uma ação, uma decisão, um pensamento.

 

 

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 17h28
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17/04/2012

Al cielo, Toulouse 2012

 
 

Al cielo, Toulouse 2012

O desfocado de AL CIELO (ver crônica de 12.04.12) tem a ver com a doença que vem deteriorando minha vista de uns anos para cá: vejo o mundo fora de foco.

Este não é o motivo de minha firme adesão ao filme. É a sua proposta estética: lacônica no narrar e no ver.

A fotografia nítida dos filmes que nos contam histórias nos faz esquecer que o fora de foco pode ser uma poderosa forma expressiva

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 15h40
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13/04/2012

Uruguai, Toulouse 2012

 
 

Uruguai, Toulouse 2012

A rica (demais) programação de Toulouse 2012 incluía uma retrospectiva de comédias uruguaias.

A mais recente, LA VIDA ÚTIL (Federico Veiroj), conta um pouco da história da célebre Cinemateca Uruguaia com Martinez Carril, ex-diretor, fumando e interpretando seu próprio papel. O personagem principal é Jorge Jellinek, excelente ator e dedicado funcionário da Cinemateca.

LA VIDA ÚTIL se desenvolve como uma suave paródia de algum filme italiano dos anos 40-50, a fotografia PB, a trilha musical, tudo cheio de nostalgia.

No filme, a Cinemateca fecha as portas (na realidade continuam abertas, embora com dificuldade).  LA VIDA ÚTIL é tipicamente uruguaio: melancólico e irônico. 

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 14h18
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12/04/2012

Toulouse 2012, crônica

 
 

Toulouse 2012, crônica

O festival cinelatino deste ano apresentou filmes de várias nacionalidades, mas a vedete foi a Argentina com uma belíssima mostra de NCA = Novo Cinema Argentino que os franceses não hesitam em chamar de “nouvelle vague argentine”’ . São filmes realizados à margem da indústria. Albertina Carri deu UM CONTO CHINÊS como exemplo de “filme industrial”. Nós não aplicaríamos esse adjetivo a filmes como TROPA DE ELITE ou SE EU FOSSE VOCÊ, 1 ou 2. No pensamento brasileiro, a indústria cinematográfica está sempre no futuro, sempre um desejo, uma utopia.

Entre os filmes a que assisti, os que mais me interessaram têm um enredo tênue, uma narrativa lacônica e elíptica, uma encenação tão despojada que se pode falar em minimalismo. Destaco os longas:

AL CIELO (Diego Prado) está fora de foco do início ao fim, com um ou outro objeto entrando em foco de vez em quando. O desfocado e os enquadramentos apertados constroem o mundo meio autista do personagem adolescente. Não é uma bravata, o filme é seguro e essa firmeza lhe dá grande vitalidade. Em Toulouse não encontrei ninguém que tivesse apreciado esse filme, mas continuo insistindo.

LAS ACACIAS (Pablo Giorgelli): um caminhoneiro de pouca fala leva uma mulher e seu nenê do Paraguai a Buenos Aires. Passagem da fronteira. Um almoço. Olhares. A maior parte se passa na boleia, motorista taciturno, criança chorando, a mãe ora inquieta ora sorrindo. Enquadramentos repetidos. Um filme nítido, preciso. Como também é

SALSIPUEDES (Mariano Luque), uma perturbação conjugal num acampamento de fim de semana, quase nada ou, se se preferir: um filme-catástrofe. Salve-se quem puder.

Esses filmes e outros precisam ser apresentados no Brasil. É essencial, não só para conhecer a recente produção argentina como para pensar o cinema contemporâneo.

Também precisa ser vista a obra de Albertina Carri que nada tem de minimalista.

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 14h59
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16/03/2012

Djalioh

 
 

Djalioh

 

O filme de Ricardo Miranda será apresentado na próxima Mostra do Filme Livre em São Paulo. É a adaptação de um conto escrito por Flaubert aos 16 anos.

Por adaptação, costuma-se entender uma transposição da trama da obra literária. Então DJALIOH não é uma adaptação. Pode-se dizer que o filme cria um espaço cinematográfico para instalar o texto narrativo ou, em outras palavras, trata-se de encenar o texto. O trabalho de Ricardo Miranda tem a ver com o teatro narrativo de Aderbal Freire Júnior, que culminou com o PÚLCARO BÚLGARO.

O conto de Flaubert trabalha uma variante do tema da Bela e a Fera. No filme a Bela é desdobrada por duas atrizes (lembrar ESSE OBSCURO OBJETO DO DESEJO de Buñuel, LADRÕES DE CINEMA de Fernando Coni Campos).

Leva um tempo para o espectador começar a penetrar no filme mas, uma vez essa etapa superada, há momentos em que conseguimos nos distanciar dos narradores (as duas atrizes, o ator que figura Djalioh e o cientista louco, a voz off) e intuimos a preseça da narração na tela.

Um desses momentos ocorre (para mim) na altura da dança e da lareira, uma narradora se refere a um vestido branco visto por Djalioh, o vestido passa pelo campo mas o olhar da narradora não se conecta com ele. A presença desses elementos em campo mas uma certa desarticulação espacial fazem aflorar a narração.

Outro momento, quase no final, se dá num jogo de três planos, o primeiro com voz off e uso da primeira pessoa do singular; o segundo com uma das narradoras que usa a terceira pessoa mas se refere à personagem que ela figura. No terceiro plano a segunda narradora dá prosseguimento à narração, mas seu olhar abaixado sugere um ato de leitura. A narração se torna personagem. Belíssimo momento que vale o filme. Ao apresentar o filme no festival de Tiradentes, Ricardo Miranda pediu paciência. É isso, ser paciente com a obra, ela irá se desvendando.

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 15h09
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06/02/2012

Tom Jobim

 
 

Tom Jobim

 

Tem se prouzido muitos filmes ditos “documentários” sobre músicos e música. Que seguem o mesmo modelo: músicas constantemente truncadas para deixar  os entrevistados falar.

A MÚSICA SEGUNDO TOM JOBIM se destaca, como já muitas vezes dito, pela ausência de entrevistas, o que é um enorme alívio (ainda mais depois do falatório do díptico sobre Sergio Buarque de Holanda). Cria-se assim um tempo que é o tempo da música, O filme nos convida a ouvir música e a reação do espectador é de prazer.

A montagem se orientou também pelos documentos cinematográficos encontrados. Uma informação sem documento interessante foi apenas aludida ou até mesmo omitida. Dessa forma, o filme cria não sói um ambiente musical mas também um ambiente visual sedutor.

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 14h20
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Aruanda

 
 

Aruanda

 

Ao texto postado por Jorge Furtado no seu blog por ocasião do falecimento de Linduarte Noronha, gostaria de acrescentar duas observações:

1) a trilha musical de ARUANDA se compõe de musicas gravadas por Linduarte após pesquisa, o que revela uma preocupação com a música inexistente no documentário brasileiro da época. Simplesmente se usava um disco qualquer, e pronto, o filme tava musicado. A gravação sonora não está associada à imagem, o equipamento de som direto só chegaria mais tarde, mas a preocupação musical já é de som direto. Por outro lado, a locução, com timbre e entonações inconfundíveis, é típica dos anos 50. Com essa locução e uma preocupação musical que já é de cinema direto, ARUANDA é um filme de transição na materialidade de sua trilha. Essa transição passará ainda por MAIORIA ABSOLUTA de Leon Hirzman e GARRINCHA ALEGRIA DO POVO de Joaquim Pedro de Andrade, antes de chegar a VIRAMUNDO de Geraldo Sarno.

2) A repercussão de ARUANDA logo depois de sua produção não se deve apenas ao filme, mas igualmente a uma decisão tomada por Linduarte: viajar para o sul. Linduarte foi primeiro ao Rio mostrar o filme a Glauber, que teve a reação que se sabe. Em seguida ele foi a São Paulo mostrar o filme a Paulo Emilio Salles Gomes na Cinemateca Brasileira. Meu artigo “Dois documentários” sai no Suplemento Literário do Estado de S. Paulo em 18.8.1961. O segundo documentário era APELO de Trigueirinho Neto, que me criticou por não ter consagrado o artigo exclusivamente a ARUANDA. Rudá de Andrade, Maurice Capovilla e eu programamos ARUANDA na Bienal de São Paulo de 1961. Quero destacar que a importante  repercussão do filme em 1961 não teria sido a mesma sem a viagem, que faz parte da história do cinema tanto quanto o filme.

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 14h12
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31/01/2012

O Roteirista

 
 

O Roteirista

É possível fazer um filme de entrevistas – talking –  heads  - inteligente.

A prova é O ROTEIRISTA de Lucas Paraizo.

Opções claras foram feitas:

- trata-se de um roteirista que escreve histórias e se preocupa com personagens (não é um roteirista de dispositivo).

- o fundo escolhido para quase todos os entrevistados são prédios do outro lado da rua (as caixinhas onde moram os personagens e suas histórias).

 - relativa homogeneidade de enquadramento dos falantes.

-   desvincular os roteiristas de filmes, diretores e produtores, graças a uma minuciosa seleção de falas. Disso resultou uma massa de falas bastante genéricas, distantes das circunstâncias. É essa fala que será montada, a montagem é regida pela palavra (e com muita fluência). Essa montagem leva a um inesperado resultado: surge um novo personagem produzido pela montagem do conjunto das falas, um  personagem  coletivo que justifica o singular do título (uns 40 roteiristas foram filmados). Estes entrevistados acabaram ficando numa espécie de segundo plano, pois se tornaram matéria prima para a construção do personagem coletivo.

- o sistema que desvincula o roteirista de filmes é quebrado apenas uma vez: o que valoriza a ruptura e reforça o sistema. Essa quebra é irônica: trata-se de uma cena de OS MATADORES, sendo que os dois roteiristas estão de acordo sobre o fato de que essa cena não é deles mas do ator Chico Diaz.

Outros momentos irônicos arejam esse filme brilhante.

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 15h13
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10/01/2012

Românticos anônimos e trailer

 
 

Românticos anônimos e trailer

A cena em que o Jean René está no bar – e é aconselhado a voltar ao quarto onde se encontra a mulher – só faz sentido e só pode gerar tensão dramática se o expectador não souber qual será a decisão do personagem: vai ou não vai ao encontro da mulher. Para o espectador que souber qual é o desenlace, a cena não tem interesse.

Quem viu o trailer sabe que ele vai ao encontro da mulher.

O trailer dá informações demais sobre o enredo. Assim que a narrativa se inicia, o espectador já sabe que o personagem entra em pânico diante de mulheres, que um psico lhe dá tarefas como convidar alguém a jantar, tocar alguém.

De certa forma, o trailer entrega o essencial da construção dramática.

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 15h00
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09/01/2012

Românticos anônimos

 
 

Românticos anônimos

 

Um filme em torno de personagens que precisam tomar clonazepan, vulgo Rivotril.

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 14h56
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20/12/2011

Carta de Bagé

 
 

Carta de Bagé

 

Caros Carlos Adriano, Cristian Borges e Miriam Schnaiderman

 

Fui homenageado pela terceira edição do Festival Cinema da Fronteira de Bagé. A homenagem começou com a projeção de filmes que eu amo: SANTOSCÓPIO = DUMONTAGEM e REMANECÊNCIAS de Carlos Adriano, e HISTÓRIA PRIVADA DE REVOLUÇÕES PESSOAIS de Cristian Borges.

SANTOSCÓPIO foi considerado uma delícia de filme. No dia seguinte, um espectador me confidenciaria que tinha quase gozado, o filme é um júbilo.

André Miguéis, realizador acreano de PRONTA ENTREGA, considerou que HISTÓRIA PRIVADA era cinema e “o resto é placebo”. – Que resto? – “Todo esse cinema narrativo, é placebo”. Eduardo, o jovem ator de ANTES QUE O MUNDO ACABE de Ana Luisa Azevedo, perguntou se poderia encontrar mais filmes de Cristian na internet. Helena Ignez apreciou o filme, destacou o módulo grego.

REMANESCÊNCIAS foi bem aceito e Helena Ignez reafirmou seu gosto pelo filme. A conversa tomou um viés psicanalítico, o que não é raro comigo. Como Carlos Adriano me tinha enviado o texto de Miriam Schnaiderman sobre o filme, expus as idéias da psicanalista. O filme tem um caráter obsessivo com o constante retorno dos onze fotogramas da onda batendo no píer. Mas a cada retorno, há modificações de grafismo, de cor, de textura, de ritmo, de relação com a trilha sonora. Portanto, longe de ser entrópica e destrutiva, é uma obsessão que se supera de forma criativa.

De volta ao hotel, li – pela primeira vez – o artigo de Miriam Schnaiderman, ela não fala nada disso, nada a ver. No dia seguinte, confessei a impostura e nos divertimos bastante.

Beijos a todos

 

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 16h09
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17/10/2011

HOJE - 2

 
 

HOJE - 2

 

 

È praticamente impossível deduzir o roteiro de um filme pronto. Aprendi isso na Femis de Paris. Dei  várias vezes o exercício de escrever o roteiro a partir de uma seqüência de filme, por exemplo PIXOTE. Ninguém acerta.

O roteiro de HOJE partiu de premissas narrativas e dramáticas sólidas. Mas o processo de trabalho acabou fazendo com que a organização final da narrativa se fizesse na ilha de montagem.

 

 

 

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 13h57
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11/10/2011

Festival de Brasilia - 2

 
 

Festival de Brasilia - 2

Conversei com Bertrand Duarte sobre seu trabalho em O HOMEM QUE NÃO DORMIA de Edgard Navarro. Narrativamente falando, o padre é um personagem secundário: não muito visto, primeiros planos contidos, planos abertos. Ele não se destaca na multidão de personagens do filme.

Na última seqüência o padre é iluminado, tira a batina e se dá a redenção. Nesse final o padre se torna o personagem principal não só da seqüência como do filme, todos os tormentos do filme se resolvem na redenção do padre, que deixou de ser padre.

A construção do personagem é interessante: ele fica contido durante todo o filme, vai acumulando tensão mas sem sair do seu segundo plano e no final vem a explosão que resolve o personagem e o filme.

É provável que o filme de Edgard Navarro e TRABALHAR CANSA tenham poucas afinidades, no entanto encontro uma semelhança narrativa entre o personagem do padre e o do pai de família desempregado interpretado por Marat Descartes.

O personagem feminino interpretado por Helena Alabergara carrega a narrativa e é indiscutivelmente o personagem principal; e o filme se encerra sem que ele tenha realmente um desfecho, enquanto um personagem secundário, a empregada, tem um encaminhamento final preciso. Mas na última seqüência o personagem masculino assume a liderança, explode e sua  explosão resolve não somente o personagem como o filme.

Acredito que esses finais só funcionam porque os personagens que vão dar a significação final ao filme foram contidos durante toda a narrativa, caso contrário a redenção ou a explosão não teriam impacto alcançado nos dois filmes. E nos dois casos os atores (interpretação e direção) souberam dar a seus personagens esse equilíbrio narrativo.

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 13h58
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