Basílico - Josimar Melo UOL Blog

Blog de Jean Claude Bernardet

04/04/2007

Os 12 trabalhos, a respeito de (2)

 

 

O título correto do romance de Zulmira Ribeiro Tavares não é Em nome do pai, mas O nome do bispo. O que torna a situação mais engraçada e me associa às obsessões da dupla Cláudio-Ricardo.

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 10h31
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No tempo (1)

 

 

Entro no prédio de escritórios.

– RG por favor.

Dou o RG à atendente.

– Olhe pra cá, diz ela apontando para a câmera em forma de bola preta.

Eu: Tenho de obedecer a suas ordens?

Ela: Não. Estou fazendo o meu trabalho.

Eu: Eu também. Meu trabalho é resistir.

Ela não ouve.

 

Não passa dia em que eu não tenha atrito com o aparelho para-policial que controla nossas idas e vindas.  Esse aparato de vigias, seguranças, mocinhas sorridentes, não menos policiais por causa disso, catracas, cartões magnéticos, câmeras, pode levar à exasperação.

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 10h20
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02/04/2007

Elevado 3.5, a respeito de

 

Elevado 3.5  (apresentado em É tudo verdade 2007), entre os antepassados do qual encontramos filmes como Edifício Master e Estamira, tem como base estética:

 

todos nós temos direito a nossos 15 minutos de Big Brother.

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 10h30
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01/04/2007

Hércules 56, a respeito de

 

Hércules 56 (Silvio Da Rin) narra o seqüestro do embaixador norte-americano durante a ditadura militar e a troca de prisioneiros políticos pela libertação do seqüestrado. Essa reconstituição é feita com documentos de época e depoimentos de participantes da ação. Os depoimentos são montados com habilidade e fluência, incluindo divergências entre os depoentes, de forma a que possamos relembrar com clareza esse momento relevante da luta contra a ditadura, e de forma a que jovens que desconheciam o fato possam se inteirar desse passado. Neste sentido o filme é da maior importância.

A base de Hércules 56 é o memorialismo, ou seja, o resgate de fatos cuja memória se perde, pelas lembranças de participantes e outras fontes. Os fatos são considerados como ocorrências cuja memória deve ser atualizada, mas como ocorrências do passado. Embora em breves momentos o filme transmita opiniões atuais sobre o passado (rápidas falas de José Dirceu e de Vladimir Palmeiras), os fatos passados não são considerados como merecedores de uma discussão política atual. O passado é relembrado, mas mantido no passado, não é visto como força atuante no presente e, enquanto tal, merecedora de discussões e ações em função das problemáticas de hoje.

Postura diferente assume o filme argentino Cavallo entre rejas (Shula Erenberg, Laura Imperiale, María Inés Roqué), que trata da identificação e da localização no México de torturador argentino que atuou na Escola de Mecânica da Armada (ESMA), e de sua extradição para a Espanha em 2003. Um filme como este trata a ditadura argentina como um passado que se mantém vivo no presente e, enquanto tal, deve ser objeto não apenas de rememoração, ou do estabelecimento correto de fatos obscuros, mas de uma luta política atual.

Dificilmente a rememoração conseguirá trabalhar sobre as feridas e seqüelas deixadas no presente pelas ditaduras latino-americanas das últimas décadas. Esse passado continuará a envenenar o presente se não for enfrentado hoje como um fato atual.

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 14h08
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