Basílico - Josimar Melo UOL Blog

Blog de Jean Claude Bernardet

23/05/2007

Rubens Rusche & Beckett

 

Três peças de Samuel Beckett encenadas por Rubens Rusche, no Centro cultural São Paulo: SOLO, PASSOS, O IMPROVISO DE OHIO. Vejam, é exatrordinário.

Rusche continua com a mesma força, a mesma precisão de escrita cênica, a mesma concisão da época de CATASTROPHÉ.

Notável.

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 11h46
 ] [ regras ] [ envie esta mensagem ]

21/05/2007

Otávio e as letras a respeito de (3)

 

 

Devo reconhecer que os textos precedentes sobre OTÁVIO E AS LETRAS como filme sem sentido tem a marca de Gilles Deleuze. Não apenas em relação a temas que se tornaram hoje banais, como a quebra da narração, a recusa da ilustração, da explicação etc., a valorização do impacto afetivo. O propósito é não proceder a uma análise mas em provocar uma intervenção.

É pelo menos assim que entendo a obra de Deleuze LÓGICA DA SENSAÇÃO. Embora o autor faça afirmações sobre características de quadros de Francis Bacon, não a considero uma análise, mas uma intervenção na obra do pintor, que somos convidados a ver à luz da filosofia de Deleuze. Ou mais precisamente: como a intervenção da filosofia de Deleuze na pintura de Bacon (além de facultar um aprofundamento da compreensão do pensamento do filósofo), transforma e potencializa a obra do pintor. A filosofia de Deleuze atua DENTRO da obra de Bacon.

Trata-se de não tomar a obra como objeto de análise, de eliminar a distância entre objeto de análise e analista (eliminando essa distância, eliminam-se o objeto e o analista). Trata-se de se incorporar à obra e de trazê-la para dentro do nosso pensamento. E de caminhar juntos transformando a obra e o nosso pensamento. Esse duplo movimento depende da intensidade da relaçào entre o sujeito e a obra, relação essa necessariamente fundamentada num impacto afetivo.

Essas notas a respeito de OTÁVIO E AS LETRAS foram escritas rapidamente, sem muita reflexão numa tentativa de captar intuições que uma maior elaboração do texto e de sua conceituação poderia diluir (ou aprofundar). É óbvio que esta proposta traz problemas para o conhecimento, mas, assim mesmo, ela é uma forma possível de relação com as obras.

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 11h25
 ] [ regras ] [ envie esta mensagem ]

Otávio e as letras, a respeito de (4)

 

Em resposta a comentários publicados neste blog sobre OTÁVIO E AS LETRAS, Marcelo Masagão, o diretor do filme, escreveu:

 

Querido Jean,

 

Creio que o "sem sentido" a que você se refere está muito ligado ao ATO DE OTÁVIO na sua tentativa de SILENCIAR TUDO.

Gosto muito da palavra DOENÇA que você usou no seu comentário e já havia usado em outro email. Acho que devemos conversar mais sobre essa nossa doença do excesso de representação, símbolos, números e seja lá o que for...

No sábado passado fui a uma reunião na escola do Dimitri e a diretora abriu a reunião dizendo que a escola de hoje tem o DEVER de proteger as crianças do excesso de informações...

Voltando ao filme, o que me deixou contente foi o fato de  ter escondido uma série de informações da vida de Otávio e não explicar quase nada. Assim o filme ficou mais concentrado no seu ATO DE SILENCIAR  AS COISAS. E a Clara no seu ATO de OBSERVAR as MULHERES, quando dou alguns elementos de sua história, este está  intermediado pelas pinturas clássicas, na cena em que Otávio recebe seu álbum.

No Festival de Toulouse, depois da exibição do filme sabe qual é a primeira  pergunta que me foi feita: "qual era a referência artística de Otávio" pois na opinião do interlocutor a arte de Otávio era a arte dos anos 80.

Fiquei muito surpreso e contente com a pergunta pois o fulano percebeu o Otávio mais como artista que como Doido. Eu disse que o personagem não era artista e sim religioso. A sua tentativa de silenciar tem muito mais uma motivação religiosa, mística, que a de um artista: "TRANSFORMAR TODA MATÉRIA EM ESPÍRITO, TODA SUBSTÂNCIA EM ESSÊNCIA".

Fiquei me perguntando porque o fulano o viu como artista e acho que isto está ligado diretamente ao resultado da produção de Otávio.

Se olharmos uma folha de livro riscado por Otávio a primeira sensação que vem  é a de PREENCHIMENTO e não de SILÊNCIO. Aquela folha repleta de azul da caneta BIC é muito mais "cheia" do que apagada. E isso me faz pensar que o ATO de Otávio de silenciar fica  frustrado, mas ao mesmo tempo ganha outra dimensão, da plasticidade, da estética. Então, Otávio acaba sendo uma espécie de místico que produz arte...

 

O que me surpreendeu no seu comentário foi você dizer que "A ausência de sentido como uma conquista explodiu em mim em 2004... com o filme 1/3"

 

Não entendo muito o que você quer dizer. O que diferencia 1/3 dos olhos e Otávio de outros filmes menos compromissados com a dramaturgia ?

 

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 11h06
 ] [ regras ] [ envie esta mensagem ]

historico

busca

Neste blog Na web
Visitas Contador