Os livros e os filmes

 

É surpreendente a presença do livro, da leitura, da página impressa, em filmes brasileiros recentes, a começar pelo título de OTÁVIO E AS LETRAS. Otávio, além de rabiscar livros e revistas, é assíduo frequentador de um sebo.

NÃO POR ACASO: um dos personagens femininos possui um monte de livros e é um sinal de afeto do namorado arrumá-los cuidadosamente nas estantes. Uma mulher, outro personagem,  é dona de livraria.

NOME PRÓPRIO: a protagonista divulga sua vida num blog e planeja escrever um livro.

VIA LACTEA: o personagem principal é um escritor e letreiros com nomes de poetas circulam pela tela.

JARDIM PAULISTA: um dos personagens é dono de um sebo, onde se passam várias cenas do filme.

CÃO SEM DONO: o personagem principal é poeta e tradutor. No seu movimento de “redenção”, ele lê e passa a trabalhar numa livraria. O romance de que o filme é adaptado faz apenas breve menção à livraria, em compensação o personagem literário trabalhou num filme de curta-metragem, o que não ocorre com o personagem cinematográfico.

Isto é um sintoma? De quê? O livro tradicional se infiltra na mídia audiovisual como forma de resistência? O que os sebos viriam confirmar: o livro, embora já velho, já usado, já desgastado, continuaria vivo? Esses filmes se dirigem a um público que tem o hábito da leitura? Ou seriam os últimos estertores de um livro agônico, prestes a cair em desuso e fagocitado pelo audiovisual? Ou esta presença maciça do livro em filmes brasileiros recentes é apenas um acaso e não significa nada?

Alguém tem alguma idéia a respeito?