Basílico - Josimar Melo UOL Blog

Blog de Jean Claude Bernardet

22/12/2008

Autoficção / histrionismo

 
 

Autoficção / histrionismo

 

A vida representada segundo Waly Salomão - conforme PAN-CINEMA PERMANENTE - é certamente uma forma de autoficção.

Mas ela é bem diferente da autoficção tal como tentei praticá-la em textos literários ou em FILMEFOBIA. A autoficção de Waly é histriônica, ela evidencia a representação, ela cria uma conturbação na vida "não representada" dos outros.

A autoficção, tal como tento praticá-la, é o oposto: a representação, ao mesclar sujeito-personagem-pessoa, se esforça em ser transparente, ou seja, não perceptível, em todo caso só ser percebida como dúvida, como ambiguidade. Bem diferente da tese da opacidade defendida por Waly Salomão. Tese, aliás, interessantíssima (como o prefácio) porque, histriônica ou transparente é provável, que autoficção sempre gere opacidade. Opacidade ostentada no histrionismo: eu sou um sujeito opaco, eu sou um enigma. Ou opacidade disfarçada: não, não há enigma nenhum. E aí está o enigma.

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 14h10
 ] [ regras ] [ envie esta mensagem ]

A palavra

 
 

A palavra

 

Em TUDO ISTO ME PARECE UM SONHO, Geraldo Sarno diz: "a palavra é a casa do ser", frase de poeta.

Isto me fez pensar o quanto este filme era dependente da palavra. Mas não só ele: o quanto são dependentes da palavra filmes recentes como SANTIAGO ou FILMEFOBIA. E o quanto o será, muito provavelmente o próximo filme de Tata Amaral, O REI DO CARIMÃ - do qual pode se dizer que, por enquanto, está construído com palavras.

Um filme pode ser dependente da palavra por depender das informações carregadas pelas palavras. Mas pode haver outro vínculo: a palavra como ato de fala. Essa é a questão que está a flôr da pele em JOGO DE CENA. 

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 14h09
 ] [ regras ] [ envie esta mensagem ]

O sujeito

 
 

O sujeito

 

Autoficção - espetacularização da vida - sujeito-personagem-pessoa:

SANTIAGO - JOGO DE CENA - FILMEFOBIA são filmes envolvidos com essas questões.

E também PAN-CINEMA PERMANENTE. Mas de outra forma.

Carlos Nader tenta captar Waly Salomão "tal como ele é", aquém ou além do jogo teatral que guia o comportamento do poeta. O que dá a excelente sequência do sono (aliás, já para a pintura do séc. XVIII o sono era problemático para a representação do sujeito). E dá também a não menos excelente sequência do pepino, em que Waly, tendo esquecido a presença da câmera (ou extremamente preocupado com as perebas labiais que lhe provocou a acidez do pepino), estaria sendo filmado fora de seu jogo de cena. A existência desse Waly Salomão fora da representação parece confirmada pela declaração de um filho que lembra o pai, quieto, absorto na sua leitura durante longo tempo.

Dessa forma, tudo leva a crer que PAN-CINEMA PERMANENTE propôe a existência de um sujeito que seria o "verdadeiro Waly",  escondido ou mascarado pelo "Waly da representação". Assim, o filme se vincula a teorias essencialistas do sujeito.

A questão do "sujeito em si", do "núcleo duro" do sujeito não está colocada - me parece - em filmes como SANTIAGO e FILMEFOBIA. Quanto a JOGO DE CENA, ele simplesmente pulveriza a questão.

SANTIAGO, JOGO DE CENA e FILMEFOBIA parecem se aproximar das teorias produtivas do sujeito. Ou seja: o sujeito inexiste como "núcleo duro" e é só a sua própria produção.

 

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 14h08
 ] [ regras ] [ envie esta mensagem ]

historico

busca

Neste blog Na web
Visitas Contador