Autoficção / histrionismo
Autoficção / histrionismo
A vida representada segundo Waly Salomão - conforme PAN-CINEMA PERMANENTE - é certamente uma forma de autoficção.
Mas ela é bem diferente da autoficção tal como tentei praticá-la em textos literários ou em FILMEFOBIA. A autoficção de Waly é histriônica, ela evidencia a representação, ela cria uma conturbação na vida "não representada" dos outros.
A autoficção, tal como tento praticá-la, é o oposto: a representação, ao mesclar sujeito-personagem-pessoa, se esforça em ser transparente, ou seja, não perceptível, em todo caso só ser percebida como dúvida, como ambiguidade. Bem diferente da tese da opacidade defendida por Waly Salomão. Tese, aliás, interessantíssima (como o prefácio) porque, histriônica ou transparente é provável, que autoficção sempre gere opacidade. Opacidade ostentada no histrionismo: eu sou um sujeito opaco, eu sou um enigma. Ou opacidade disfarçada: não, não há enigma nenhum. E aí está o enigma.





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