Rudá 3
Rudá 3
Quando O Ministério da Justiça baixou a lista dos 25, aplicando o AI5 (Ato Institucional no. 5) a professores da Usp, eu me encontrava em Brasília. Como não se sabia que medidas seriam tomadas pelos militares, me escondi por uns dias. Voltei a São Paulo, onde eu era professor na então Escola de Comunicações Culturais. Rudá, chefe do departamento que abrigava teatro, cinema, tv e rádio, me convocou para que eu retirasse meus pertences da escola e lhe apresentasse um balanço dos cursos já dados e os projetos que eu tinha. Dias depois, Rudá recebeu um ofício do senhor diretor comunicando-lhe que eu tinha sido visto nas dependências da escola, e que tal situação não deveria se repetir. Rudá respondeu ao senhor diretor com uma longa carta em que expunha que eu de fato tinha ido à escola a pedido dele, chefe do departamento; que ele ignorava qualquer dispositivo legal que me proibisse de circular pelas dependências da escola; e que, se o senhor diretor julgava que eu não devia entrar na escola, ele que tomasse as providências cabíveis, pois tomar tais providências não fazia parte das atribuições de um chefe de departamento. Essa carta é um exemplo de coragem, de resistência contra a opressão, e da dignidade que Rudá sempre manteve nas instituições com as quais colaborou ou que dirigiu. Um dia ainda encontrarei a cópia dessa carta que Rudá me deu, momentaneamente extraviada.





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