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Blog de Jean Claude Bernardet

14/10/2009

O fantasma da literatura – 9

 

Li VIDAS IMAGINÁRIAS de Marcel Schwob (1896), que serviu de pano de fundo a HISTÓRIA UNIVERSAL DA INFÂMIA de Borges (1935), que serviu de pano de fundo a LA LITERATURA NAZI EN AMÉRICA de Roberto Bolaño (1996).

São biografias curtas, reais ou inventadas, de personagens reais ou inventados. Nos três autores encontramos procedimentos literários semelhantes.

Esse gênero de literatura biográfica conheceu um certo florescimento no Séc. XX. Citam-se por exemplo RETRATOS REAIS E IMAGINÁRIOS de Alfonso Reyes (1920) e A SINAGOGA DOS ICONOCLASTAS de Juan Rodolfo Wilcock (1972).

É uma tradição literária a que pertencem LE VITE (As vidas dos melhores pintores, escultores e arquitetos) de Giorgio Vasari, publicado entre 1550 e 1568, bem como LEGENDA AUREA (A lenda dourada), obra escrita entre 1261 e 1266 em que Jacques de Voragine narra a vida de 180 santos, santas e mártires cristãos.

Lá no ponto de fuga encontram-se evidentemente o velho Plutarco e suas VIDAS PARALELAS.

Plutarco teve predecessores.

Escrevo esses apontamentos pensando nas dezenas ou centenas de biografias transcritas, copiadas (e fantasiadas?) deixadas por Santiago, o compilador do filme de João Moreira Salles. Talvez seja o caso de examinar as 3.000 páginas datilografadas por Santiago à luz dessa tradição literária secular.

 

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 15h09
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