O boom do documentário – 5

 

Na crônica O boom do documentário – 2, me referi à larga extensão e pouca definição da palavra “documentário”.

A palavra “romance” parece ter passado por uma turbulência semelhante no século XIX, na França pelo menos, segundo o escritor Émile Zola. Questionando a adequação do termo “descrição” para designar o que hoje não se pode negar serem as infindáveis descrições do romance tanto realista como naturalista, Zola comenta: é uma palavra “hoje tão ruim quanto a palavra ‘romance’, que não significa mais nada, quando aplicada a nossos estudos naturalistas” (1880). No fundo Zola queria uma definição rigorosa de “romance”, que designaria tão somente o romance realista, naturalista, científico, e não tudo e qualquer coisa, como, conforme ele, vinha acontecendo.

Já eu não pleiteio uma definição da palavra “documentário”. Acho a turbulência pela qual está passando um sinal de vitalidade e de contradições produtivas.

É que Zola vivia na época do Positivismo, e eu na época da Teoria do Caos.