Basílico - Josimar Melo UOL Blog

Blog de Jean Claude Bernardet

09/12/2009

O milho – 8

 

 

Nas crônicas O milho 5 e 6, sugeri que no pensamento de Marx e no de Engels despontava a ideia de um sistema que, embora manipulado por homens, dava a impressão de se reger autonomamente e de utilizar os homens para seus fins próprios.

O escritor Émile Zola (1840-1902) sonhou com um sistema que pertence à mesma família. Ele sabia que o escritor não podia desaparecer, mas buscava uma forma narrativa que desse a impressão que o romancista tinha sumido ou não existia. Zola imaginava o romance realista e naturalista como a realidade vista pelo escritor através de uma tela ou de um ecran (a ideia de ecran como superficie de projeção veio mais tarde). O ecran é a personalidade do escritor, o seu temperamento como ele preferia dizer. Em 1864 Zola escreve: “O ecran realista nega a sua própria existência”, ou seja o autor nega a sua própria existência. Apesar de o escritor estar sempre aí com o seu temperamento, sonha-se com a obra impessoal. O romancista naturalista tenta o impossível eclipse: “a partir do momento em que põe um personagem em cena, [o romancista] deixa que ele se encarregue de apresentar-se ao público, vivendo a céu aberto, naturalmente, e evita que se vejam seus dedos de autor manipulando os cordéis” (1869). De Flaubert, o romancista que mais admirava, Zola escreveu que ele tornou o romance “uma obra de arte harmônica, impessoal, que vive de sua própria beleza” (1875).

O romancista naturalista é um pesquisador, ele reune farto material sobre o meio social, as situações e os personagens de que tratará o romance, então poderá acontecer o milagre: “e, uma vez levantados os documentos, seu romance, como eu já disse, se estabelecerá por conta própria” (1878).

O romance sem autor, o romance se escreveria sozinho, pura expressão da realidade. Encontraremos outras narrativas que alimentaram o mesmo fantasma.

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 14h10
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08/12/2009

Eduardo Coutinho & Tata Amaral

 

 

O último trabalho de Tata Amaral é uma minissérie para o programa Direções – 3 da TV Cultura: TRAGO COMIGO.

A minissérie aborda a memória da ditadura militar através de personagens que a viveram e de outros que nasceram depois.

O personagem principal é um diretor de teatro e a memória da ditadura é trabalhada pelo presente de uma peça de teatro cujos ensaios se desenvolvem no decorrer da minissérie.

Tata Amaral me disse que, sem JOGO DE CENA, TRAGO COMIGO não teria essa forma, ou seja, tratar o essencial da problemática através de uma representação teatral. E me disse que toda vez que filmava no palco do velho TBC, ela pensava no filme do Coutinho. Para ela sem JOGO DE CENA não há TRAGO COMIGO.

 

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 14h15
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