Basílico - Josimar Melo UOL Blog

Blog de Jean Claude Bernardet

02/03/2010

Os inquilinos – 3

 

 

 

Outra abordagem possível de OS INQUILINOS, um tanto convencional, seria a de teor psicanalítico. O filme trabalha o tema do “homem ferido”, caro à literatura e ao cinema com matizes homossexuais.

Valter é um homem fraco que não inspira plena confiança a sua família e sente que não está á altura das exigências da realidade, apesar das pressões que sofre e dos esforços que faz. Assim ficam corroídas sua autoconfiança e autoestima.

Se, por um lado, Valter está confrontado ao Mal Absoluto, por outro jogam-lhe na cara o tema do homem forte e do pai protetor.

A paternidade aparece no filme por duas vias. Uma delas é o próprio Valter que traz à tona a Imagem do próprio pai que construiu a casa tijolo por tijolo, casa essa agora ameaçada e da qual ele, filho, não se sente o protetor seguro.  A outra via é a esposa que contrapõe a Valter o irmão corajoso e o pai, na casa de quem ela julga que os filhos estariam mais seguros.

Como no tratamento Sujeito/Mal Absoluto o roteiro optou por uma abordagem tangencial desse tema, o que é bastante hábil. A esposa não leva os filhos à casa paterna mas Valter tem um leve embate com o cunhado. Este pequeno confronto se dá no mesmo espaço da pedrada e, como ela, não terá maiores conseqüências no enredo.

O Sujeito fica imprensado entre o Mal Absoluto e a Imagem do pai forte e protetor, e está sem saída, por tanto o enredo não tem desenlace. O filme acaba com pontos de reticências... isso vai continuar, e só vai piorar, agora o Mal está ostensivamente – e irônicamente – armado.

 

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 16h04
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01/03/2010

Os inquilinos – 2

 

 

 

 

OS INQUILINOS me deixou um gostinho de filme expressionista.

Principalmente por causa dos inquilinos que são o Mal Absoluto, um mal sem origem nem fim.

É uma habilidade do roteiro que o mal roce a família estruturada, a ameaça é constante, a iminência é constante (o menino ferido, a filha que poderia... a esposa que poderia... o celular que poderia...). A pedrada é o clímax dessa iminência, mas fica sem consequência.

O achado do filme é o ator que interpreta o Valter, o pai de quem se espera coragem e proteção. O ator, com seus olhos, sua pele, seu corte de cabelo, seu jeito geral, destoa de todos os contextos em que o personagem é inserido: a família, o bairro, o trabalho, a escola para adultos. Essa ausência de inserção o torna o Sujeito.

O filme apresenta o Sujeito constantemente ameaçado pelo Mal Absoluto, que se infiltra até na sua família, na sua cama.

A ameaça constante do Sujeito fraco pelo mal Absoluto gera momentos de indiscutível tensão, já que o tipo do ator permite identificação com o público classe média.

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 15h44
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