A arte da palestra

 

 

“A crença no espelho” foi o título da palestra de abertura do curso Mutações-A invenção das crenças, coordenado por Adalto Novaes.

O palestrante foi José Miguel Wisnik na mais brilhante de seuas formas.

Palestra não é uma simples comunicação de texto previamente escrito, mesmo que o palestrante se atrapalhe nos seus papéis ou não consiga ler sua caligrafia, o que sempre pode dar alguma vitalidade a uma palestra acadêmica.

Palestrar implica encantar o público e se encantar com o seu próprio encantamento de palestrar diante de um público. Isto ocorria com Paulo Emílio Salles Gomes que era mestre nessa arte. E ocorreu com Zé Miguel neste dia de abertura em São Paulo. No meio da palestra, após uma frase, os olhos brilhando, os braços levantados, um sorriso luminoso, ele perguntou se tinhamos anotado porque essa frase ele não conseguiria repetir. Estávamos, nós e ele, enfeitiçados.

A palestra de Zé Miguel teve a forma de uma elipse cujos dois centros foram espelhos, um de Machado de Assis e o outro de Guimarães Rosa. Esses centros lançaram raios que atingiram galáxias como a psicanálise lacaniana ou a cultura popular brasileira, tecendo uma rede fosforescente.