Basílico - Josimar Melo UOL Blog

Blog de Jean Claude Bernardet

11/03/2011

Cinema da Bahia

 
 

Cinema da Bahia

 

A Secretaria da Cultura e a Fundação Cultural da Bahia acabam de lançar uma caixa com doze DVDs intitulada Bahia 100 anos de Cinema. É uma riquíssima documentação de excelente qualidade (responsabilidade da Cinemateca Brasileira) contendo 30 títulos incluindo obras imprescindíveis como BAHIA DE TODOS OS SANTOS ou A GRANDE FEIRA.

Contém duas pequenas jóias. São filmes totalmente diferentes: SUPEROUTRO de Edgard Navarro esbanja um anarquismo exuberante e angustiado, enquanto ANIL de Fernando Belens deixa ironicamente passar os dias da semana um após o outro. Os filmes são contemporâneos. A erupção vulcânica de um e a discreta serialidade do outro são duas facetas do humor de uma mesma geração.

 

Em tempo: há pessoas interessadas em adquirir a caixa e não têm a menor ideia de como chegar a esse fim. Eu gostaria de levar essa caixa à Cinemateca do Quebec, o que devo fazer?

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 14h14
 ] [ regras ] [ envie esta mensagem ]

09/03/2011

O boom do documentário – 6

 
 

O boom do documentário – 6

Ensaios de ficção

 

A Universidad Internacional de Andalucia apresenta um ciclo do cineasta português Pedro Costa. Um texto introdutório qualifica os filmes de ensayos de ficción / ficcional essays. A expressão é usada sem aspas nem itálicos. Não se sabe exatamente o que seja um ensaio de ficção, mas a expressão é sugestiva e indica com naturalidade o esforço de aproximar a linguagem verbal das mutações da produção audiovisual.

Em fevereiro passado O Estado de São Paulo publicou um artigo de Antônio Gonçalves Filho sobre o livro de Enrique Vila-Matas publicado pela Cosac Naify: HISTÓRIA ABREVIADA DA LITERATURA PORTÁTIL. O autor insere o livro do escritor espanhol num “tipo de literatura híbrida, em que o ensaio literário encontra a ficção...”. Essa literatura só é híbrida porque ela é pensada a partir de categorias nas quais não se encaixa. Essa forma de pensamento se aferra a suas categorias para pensar a produção literária, não tenta se transformar ao contato com a literatura que vem sendo produzida, e se sentiria fragilizado se colocasse em dúvida suas ferramentas fundamentais que são as categorias.

Se os gêneros, literários ou cinematográficos, e as categorias são necessários para elaborar pensamento, por outro lado não deveriam se interpor tanto entre leitor e texto e produzir um efeito redutor. Resulta disso uma ampliação do hiato entre a literatura atual e a linguagem que pretende pensá-la.

Ao inverso, o que será possivelmente considerado uma falta de rigor conceitual por parte da UIA revela uma maleabilidade de pensamento e de vocabulário que permite um diálogo vivo com a produção.

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 17h08
 ] [ regras ] [ envie esta mensagem ]

historico

busca

Neste blog Na web
Visitas Contador