Basílico - Josimar Melo UOL Blog

Blog de Jean Claude Bernardet

28/04/2011

CÓPIA FIEL de Kiarostami – 7

 
 

CÓPIA FIEL de Kiarostami – 7

 

Conversando com Maria Guimarães e João Alexandrino sobre CÓPIA FIEL, já dentro do enfoque da teoria da complexidade, a saber que o desenvolvimento da narrativa altera os dados de partida, pensamos em pontos de articulação que seriam os momentos de alteração da situação e dos personagens. Por exemplo: o encontro na galeria como dando início à formação do casal; os livros que vão ficando no banco de trás do carro como assinalando a passagem do escritor para o marido; evidentemente a referência ao marido feita pela dona do bar onde eles tomam um capuccino.

Eu resisti à idéia de pontos de articulação preferindo (como sempre) a idéia de processo, ou seja um fluxo de transformação mais do que momentos de transformação.

Depois pensamos que não tínhamos que optar entre articulações e fluxo, e que podíamos pensar num fluxo com momentos de adensamento, seguidos de diluições para de novo se formarem novos adensamentos. Por exemplo: a palavra “marito” pronunciada pela italiana é um forte adensamento, assim como a primeira palavra que o personagem masculino pronuncia em francês. Seria interessante analisar, na cena do carro, a dança dos livros entre o banco de trás e o do passageiro que deve articular vários adensamentos de densidade diversa e diluições ou relaxamentos. O que chamo aqui de diluições ou afrouxamentos poderiam ser momentos em que o espectador tem um tempo para assimilar as alterações das condições de base.

P.S. – não entender “condições ou dados de base” como a cena da palestra, que fornece os dados de base do início do desenvolvimento da narrativa. É dado de base qualquer situação que precede uma outra com a qual mantém alguma relação.

 

 

 

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 15h14
 ] [ regras ] [ envie esta mensagem ]

26/04/2011

CÓPIA FIEL de Kiarostami – 6

 
 

CÓPIA FIEL de Kiarostami – 6

 Sábado encontrei Jorge Furtado no espetáculo da companhia da Pina Baush em Porto Alegre.  Falamos rapidamente de CÓPIA FIEL de Kiarostami. Ele pensa que a duração narrativa do filme é de aproximadamente um dia e meio. No início da narrativa os personagens não se conhecem e no final eles estão casados há 15 anos, e o filho é deles.

Nora Goulart tem a convicção que esse projeto narrativo foi desenvolvido intencional e conscientemente por Kiarostami.

Em resumo trata-se de uma narrativa que de alguma forma se rege pela teoria da complexidade, ou seja o desenvolvimento do processo provoca um feed-back que realimenta e altera os dados de base em constante modificação. No caso o desenvolvimento da narrativa modifica os dados iniciais em constante modificação. Exemplo: na primeira cena no bar italiano, o personagem masculino não fala francês, algumas cenas adiante ele fala francês.

É provável que não haja nada semelhante na narrativa cinematográfica fazendo de CÓPIA FIEL um filme inovador.

Na narrativa literária Jorge Furtado lembrou ORLANDO de Virginia Woolf.

 

Jorge Furtado acrescenta: Lembrei de uma outra história que, de alguma maneira, altera as premissas iniciais, um conto de Alphonse Allais (conheço porque foi analisado pelo Umberto Eco), chamado “Um drama bem parisiense”. É quase uma brincadeira, um paradoxo. Os personagens, um casal, Raoul e Margerite, desconfiados da fidelidade do outro, marcam um encontro, num baile de máscaras. Adaptei um pedaço da história para a tevê, faz tempo.

 

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 13h47
 ] [ regras ] [ envie esta mensagem ]

historico

busca

Neste blog Na web
Visitas Contador