CÓPIA FIEL de Kiarostami – 8

 

Batendo papo com  Roberto Moreira   fez se  uma sugestão interessante para a  compreensão da estrutura narrativa de CÓPIA FIEL, de que , outrossim, ele não gostou.

Ele observa que em determinados momentos personagens sinalizam a ação por vir ( momentos que poderiam ser relacionados com os pontos de articulação comentados em crônica anterior). Por exemplo, o filho diz à mãe que ela quer namorar com o escritor, o que prenuncia a formação do casal. A dona do bar fala em marido, o que  consolida o casal. Jean-Claude Carriére aconselha o “marido” a por a mão no ombro da “esposa”, o que ele fará um pouco mais tarde ( sem grande entusiasmo).

Poderíamos acrescentar : na primeira cena Juliette Binoche dá seu número de telefone ao tradutor para que ele o passe ao escritor quando acabar a palestra.

Esses personagens ou esses momentos de personagens, o crítico francês Jean Douchet os chamava “ personagem-roteirista” , a saber, personagens que projetam, delineiam, programam para si e/ou outros personagens , ações para cenas posteriores ou para a totalidade do enredo do filme.