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Blog de Jean Claude Bernardet

11/10/2011

Festival de Brasilia - 2

 
 

Festival de Brasilia - 2

Conversei com Bertrand Duarte sobre seu trabalho em O HOMEM QUE NÃO DORMIA de Edgard Navarro. Narrativamente falando, o padre é um personagem secundário: não muito visto, primeiros planos contidos, planos abertos. Ele não se destaca na multidão de personagens do filme.

Na última seqüência o padre é iluminado, tira a batina e se dá a redenção. Nesse final o padre se torna o personagem principal não só da seqüência como do filme, todos os tormentos do filme se resolvem na redenção do padre, que deixou de ser padre.

A construção do personagem é interessante: ele fica contido durante todo o filme, vai acumulando tensão mas sem sair do seu segundo plano e no final vem a explosão que resolve o personagem e o filme.

É provável que o filme de Edgard Navarro e TRABALHAR CANSA tenham poucas afinidades, no entanto encontro uma semelhança narrativa entre o personagem do padre e o do pai de família desempregado interpretado por Marat Descartes.

O personagem feminino interpretado por Helena Alabergara carrega a narrativa e é indiscutivelmente o personagem principal; e o filme se encerra sem que ele tenha realmente um desfecho, enquanto um personagem secundário, a empregada, tem um encaminhamento final preciso. Mas na última seqüência o personagem masculino assume a liderança, explode e sua  explosão resolve não somente o personagem como o filme.

Acredito que esses finais só funcionam porque os personagens que vão dar a significação final ao filme foram contidos durante toda a narrativa, caso contrário a redenção ou a explosão não teriam impacto alcançado nos dois filmes. E nos dois casos os atores (interpretação e direção) souberam dar a seus personagens esse equilíbrio narrativo.

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 13h58
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10/10/2011

Festival de Brasilia

 
 

Festival de Brasilia

Num seminário do ultimo Festival de Brasília, Mariza Leão usou uma metáfora interessante: o peixe e a vara de pescar, querendo dizer que a política de auxilio a produção cinematográfica no Brasil e seus editais favorecem o peixe e não a vara de pescar. Em outras palavras: essa política trabalha  com projetos de filme  e não com produtoras. A cada novo filme a produtora tem que apresentar seu novo projeto e recomeçar do zero o processo de captação de dinheiro. È necessário uma política que vise as produtoras. Essa política de pires na mão a cada novo peixe, além de enfraquecer as produtoras, expõe os projetos à boa vontade das empresas que cedem um dinheirinho que de fato é um dinheiro publico.

Assim  Marcos Didonet, da Total. conta que não conseguiu captar para ASSALTO AO BANCO CENTRAL porque nenhuma empresa quer ver seu nome associado a um assalto a banco. A atual política do peixe favorece uma forma de censura velada. Um amigo meu está desistindo de um roteiro mais do que pronto e bem construído, porque a temática não emplaca junto as empresas e nenhuma moedinha cai no pires.

 

 

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 14h33
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