Carta de Bagé

 

Caros Carlos Adriano, Cristian Borges e Miriam Schnaiderman

 

Fui homenageado pela terceira edição do Festival Cinema da Fronteira de Bagé. A homenagem começou com a projeção de filmes que eu amo: SANTOSCÓPIO = DUMONTAGEM e REMANECÊNCIAS de Carlos Adriano, e HISTÓRIA PRIVADA DE REVOLUÇÕES PESSOAIS de Cristian Borges.

SANTOSCÓPIO foi considerado uma delícia de filme. No dia seguinte, um espectador me confidenciaria que tinha quase gozado, o filme é um júbilo.

André Miguéis, realizador acreano de PRONTA ENTREGA, considerou que HISTÓRIA PRIVADA era cinema e “o resto é placebo”. – Que resto? – “Todo esse cinema narrativo, é placebo”. Eduardo, o jovem ator de ANTES QUE O MUNDO ACABE de Ana Luisa Azevedo, perguntou se poderia encontrar mais filmes de Cristian na internet. Helena Ignez apreciou o filme, destacou o módulo grego.

REMANESCÊNCIAS foi bem aceito e Helena Ignez reafirmou seu gosto pelo filme. A conversa tomou um viés psicanalítico, o que não é raro comigo. Como Carlos Adriano me tinha enviado o texto de Miriam Schnaiderman sobre o filme, expus as idéias da psicanalista. O filme tem um caráter obsessivo com o constante retorno dos onze fotogramas da onda batendo no píer. Mas a cada retorno, há modificações de grafismo, de cor, de textura, de ritmo, de relação com a trilha sonora. Portanto, longe de ser entrópica e destrutiva, é uma obsessão que se supera de forma criativa.

De volta ao hotel, li – pela primeira vez – o artigo de Miriam Schnaiderman, ela não fala nada disso, nada a ver. No dia seguinte, confessei a impostura e nos divertimos bastante.

Beijos a todos