Basílico - Josimar Melo UOL Blog

Blog de Jean Claude Bernardet

13/04/2012

Uruguai, Toulouse 2012

 
 

Uruguai, Toulouse 2012

A rica (demais) programação de Toulouse 2012 incluía uma retrospectiva de comédias uruguaias.

A mais recente, LA VIDA ÚTIL (Federico Veiroj), conta um pouco da história da célebre Cinemateca Uruguaia com Martinez Carril, ex-diretor, fumando e interpretando seu próprio papel. O personagem principal é Jorge Jellinek, excelente ator e dedicado funcionário da Cinemateca.

LA VIDA ÚTIL se desenvolve como uma suave paródia de algum filme italiano dos anos 40-50, a fotografia PB, a trilha musical, tudo cheio de nostalgia.

No filme, a Cinemateca fecha as portas (na realidade continuam abertas, embora com dificuldade).  LA VIDA ÚTIL é tipicamente uruguaio: melancólico e irônico. 

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 14h18
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12/04/2012

Toulouse 2012, crônica

 
 

Toulouse 2012, crônica

O festival cinelatino deste ano apresentou filmes de várias nacionalidades, mas a vedete foi a Argentina com uma belíssima mostra de NCA = Novo Cinema Argentino que os franceses não hesitam em chamar de “nouvelle vague argentine”’ . São filmes realizados à margem da indústria. Albertina Carri deu UM CONTO CHINÊS como exemplo de “filme industrial”. Nós não aplicaríamos esse adjetivo a filmes como TROPA DE ELITE ou SE EU FOSSE VOCÊ, 1 ou 2. No pensamento brasileiro, a indústria cinematográfica está sempre no futuro, sempre um desejo, uma utopia.

Entre os filmes a que assisti, os que mais me interessaram têm um enredo tênue, uma narrativa lacônica e elíptica, uma encenação tão despojada que se pode falar em minimalismo. Destaco os longas:

AL CIELO (Diego Prado) está fora de foco do início ao fim, com um ou outro objeto entrando em foco de vez em quando. O desfocado e os enquadramentos apertados constroem o mundo meio autista do personagem adolescente. Não é uma bravata, o filme é seguro e essa firmeza lhe dá grande vitalidade. Em Toulouse não encontrei ninguém que tivesse apreciado esse filme, mas continuo insistindo.

LAS ACACIAS (Pablo Giorgelli): um caminhoneiro de pouca fala leva uma mulher e seu nenê do Paraguai a Buenos Aires. Passagem da fronteira. Um almoço. Olhares. A maior parte se passa na boleia, motorista taciturno, criança chorando, a mãe ora inquieta ora sorrindo. Enquadramentos repetidos. Um filme nítido, preciso. Como também é

SALSIPUEDES (Mariano Luque), uma perturbação conjugal num acampamento de fim de semana, quase nada ou, se se preferir: um filme-catástrofe. Salve-se quem puder.

Esses filmes e outros precisam ser apresentados no Brasil. É essencial, não só para conhecer a recente produção argentina como para pensar o cinema contemporâneo.

Também precisa ser vista a obra de Albertina Carri que nada tem de minimalista.

Escrito por Jean-Claude Bernardet às 14h59
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