Um dia na vida

 

Meu amigo Zeca que mora em Montreal,  me mandou esse e-mail no dia  5 de março de 2014

 

“Jean-Claude,

No dia 24 de maio de 2011 você me mandou a seguinte mensagem :”

 



”Zeca,
Uma mensagem rápida.
Cheguei a SP, espero que Coutinho tenha chegado ao Rio. Foi épico. Em Montreal,  Coutinho tinha sumido do computador da Air Canada., Karine [funcionaria da Cinemateca Quebequense] queria falar com a embaixada, num domingo.... Coutinho queria comprar outra passagem, Karine pensava levá-lo de volta ao hotel, mas aí o que fazer com ele? Finalmente, Coutinho comprou passagem por $ canadense 1.039.
O vôo até Toronto atrasou meia-hora, eu não tinha condição de esperar que esvaziasse o avião para que o guia viesse nos pegar. Pedi a um brasileiro que também ia para SP que nos levasse, tínhamos 25 min para chegar até o portão, tínhamos que correr, Coutinho não conseguia andar, eu gritava que se perdêssemos de vista o homem da camisa vermelha nunca chegaríamos ao portão 177, e o cara não queria perder o vôo. Chegamos e fomos os últimos, evidentemente não havia mais lugar nos bagageiros, uma comissária pediu que colocasse a mochila debaixo do assento da frente, eu respondi que sim se ela me dissesse onde colocaria as pernas. Finalmente tudo se assentou, estávamos sentados, 20h20 nada, 20h40 nada. Finalmente uma voz disse que havia uns problemas, o que foi repetido em francês e em português com sotaque português. Por volta de meia-noite e meia a voz portuguesa anuncia que havia uns probleminhas, o que foi o suficiente para Coutinho ter um treco e xingar a portuguesa de filha da puta aos brados.... 1 da manhã nos avisaram que não partiríamos,  que pegássemos as malas , passageiros em trânsito podiam pegar um voucher e ir pro hotel e estar de volta às 5h30... O voucher gerou uma fila gigantesca (tínhamos retirado nossas bagagens), já eram 2 da manhã, ficamos sabendo que o hotel ficava a 40 minutos do aeroporto... Convenci Coutinho a passar a noite no aeroporto.... às 4h, fila gigantesca para o check in, ainda fechado, Coutinho esgotado, deitado no chão escondendo-se atrás de malas para fumar... tentei levantá-lo, ele não ficava em pé, finalmente eu berrei I need help... eu cuidando do Coutinho, tentando segurar o lugar na fila, uma brasileira veio nos ajudar, trouxeram a cadeira de rodas, conseguimos check in prioritário... e tomamos muitos double expresso e finalmente embarcamos e chegamos às 19h30 a SP. No vôo entre Montreal e Toronto tive uma boa conversa com Coutinho. À noite minha amiga Heloísa me perguntou se eu tinha dó de Coutinho, não, não tenho dó, me sinto solidário e amigo."

Confesso que, ao reler esse relato, me emocionei.

Publique isso, pelo amor de deus! Sugestão de título : UM DIA NA VIDA

ABRAÇÃO

Zeca”